EU SACERDOTE

A principio Orisá tem nome, família e palavra...

Odu Ijê 30/03/2012
Eu Babalorisá Esú Layenã, titulo que me foi outorgado em 17 de março de 2012 por Tata Jubile de Osósi filho de Yá Maria de Lourdes de Osósi.

Estou certo que para merecermos um titulo de sacerdócio precisamos de amadurecimento religioso no que se diz as nossas obrigações para com nossa vida espiritual, a fase de aprendizado de Yawô a Egbome ao merecimento do sacerdócio de excelência, e impor com respeito como sacerdote perante a sociedade e perante a outros sacerdotes que respeitam os padrões da assertividade espiritual, e o que engrandece a espiritualidade, pertencer ao mundo espiritual não é fácil se manter neste e mais difícil ainda, nossas falhas como humanos é o que mais dificulta esta caminhada, as pessoas pensam que O “Baba Google” é a pedra fundamental dos seus sacerdócios


Na posição de um Omô Ifá autodidata busco o entendimento da minha jornada como ser espiritual e sem me permitir ser acharcado ou desestimulado do entendimento de outras culturas ligadas ao espirito me atrevo a dizer:


Entender os desígnios da vida por intermédio da espiritualidade, Ifá e uma ferramenta precisa nas mãos de que estuda e vive sobre suas diretrizes, faz-se necessário o estudo incansável, horas por dias de dedicação sob os estudos e a disciplina do culto, assim como diz Ifá nos odus: 

Owarin Meji pede pela moderação em todas as coisas.

Odu Ogbe Meji
, a necessidade do comportamento digno é enfatizada, de tal forma que a punição será o infortúnio, falta de sucesso e o esquecimento, o total abandono do sacerdote por sua família, suas orações não devem ser ouvidas, essa é uma das punições mais cruéis e mais temidas; a relação homem Òrìsàs deixa de existir.

Ogbe Otura, fala de Ìwà (caráter) a indicação é clara nesse Odú, a necessidade de manter uma postura reta, faz parte do dia a dia do iniciado, temos a obrigação diante dos Òrìsàs, de manter um comportamento que honre toda nossa família e nossos antepassados, independente de nossa idade, a juventude não é desculpa para o erro a pouca idade, é característica que indica a inocência e não a má conduta fica bem clara no verso do Odu 

Òfún Ose, que diz (é preferível um sacerdote jovem e honesto que um velho sem caráter).
Não existe sacerdote  sem família, e quando existe provavelmente foi expulso da mesma, sendo assim, este está em desgraça por algum motivo que não me cabe julgar.

- Porém temos que entender que as religiões em sua grande maioria são executadas por humanos, rancorosos, orgulhosos e falhos, em grande parte, assoberbados do suposto poder que lhes é concedido e conhecimento que lhes deve ser passado, ou o pior ainda, é quando se deseja o poder que não lhes é destinado, há ponto de perderem a noção de que são apenas executores das vontades espirituais.


Somos criaturas espirituais sim, porém em corpos terrenos e protegidos como tal, não somos semideuses e não podemos ser o juiz e algoz de decisões que não nos cabe, o que existe entre nós e orisás são laços de conveniência para ambas as partes, assim existindo afinidade ou não como em qualquer relacionamento.


Seja no seguimento Kardecista, Ifá, Candomblecista, Umbandista, Xamanismo, Rosa Cruz ou qualquer seguimento espiritualista, a força que coordena a casa não é terrena, por isso não nos cabe o veredicto sem prévia consulta aos sábios espíritos que sustentam a casa, afim de decisões que podem prejudicar ou ajudar a vida dos Eleguns, Egbomes, Yawos,etc...

Verdade, e nada mais que a verdade é função do sacerdote por meio do oráculo, e neste acomedir as diretrizes a serem adotadas e não mentir com o nome de Ifá por intermédio do oráculo,seja ele Merídilogum, opelé ou ikin,há quem também faça de uso de cartas, bolas de cristal, etc...

Quando presenciei uma única vez a retirada de um Igbá de um iniciado ha muitos anos atrás, senti uma comoção muito grande ao presenciar os ritos que antecederam ao fato em suma.


Todos estavam de branco e muitos Oriki’s foram entoados de forma a pedir idariji (Perdão) ou Malembe.

Quando a sacerdotisa em tom alto, porém triste proferiu a seguinte frase “Meus Búzios não provarão nada em delegacia, orisá é dádiva de Deus onde aprendi que só fazemos e acolhemos e nunca devemos expulsá-los de nossas casas e de nossas vidas”.
- “Uma vez que não é meu desejo, nem desejo de Osúm ou mesmo de Minha mãe Yemanjá que osúm e nem você saiam da casa, mas já que é seu desejo peço Idariji a Osúm, que ela tenha misericórdia de mim e de você dos meus, Osúm sabe que foi feita com muito amor carinho e devoção, pois para orisá não se perde noite se ganha”.

Preparou-se um balaio forrado de branco com flores e folhas litúrgicas, onde me lembro que  Mãe Clara de Yemanjá, tinha uma feição de muita tristeza por estar a frente desta cerimônia que mais parecia  fúnebre como uma despedida eterna...


Nesta ocasião tratava-se da devolução de um igbá de uma Egbome que não desejava mais fazer parte da família, não sei dizer ao certo quanto o, ou aos motivos, mas posso afirmar que o desejo não era do Orisá, mas do próprio Egbome, tudo foi feito como o Egbome desejou, não presenciei brigas e nem discursões, determinado momento a Yalorisá chamou a Egbome por seu nome de orisá e pediu que o mesmo entrasse no quarto de Osúm e pegasse o que ele achava que “lhe pertencia”...


- O mesmo não teve coragem de levantar pedindo que um Ogá o pegasse, viu o igbá saindo pela porta, mas quando foi colocado no balaio com todo cuidado, e ao final dos cânticos para surpresa de todos ali, o igbá  transformou-se em migalhas esfarelando-se como se por milagre, a impressão era como se alguém estivesse pisoteando o balaio, olhamos com susto para mãe Clara e a mesma, mantinha um olhar  triste e assistindo tudo aquilo sem dizer nada, porém seu olhar era assertivo para um futuro não promissor para o Rapaz, Mãe Clara chorava vertiginosamente como se soubesse  “ou sabia” o que estava por vir...

-Infelizmente pouco tempo depois participei da minha primeira cerimonia de Axêxê
onde velamos o corpo do Egbome de Osúm, o mesmo veio a morrer  numa briga na entrada da avenida onde morava.

“Quem faz Orisá e segue seus conselhos morre velho”; Disse Babalorisá Jeremias Santana,
 mais conhecido como Seu Mímito de Osúm,  falecido com 102 anos de idade e 95 de iniciado.*1912 - Ϯ 2014

Porém existe o contraditório; Os poderosos sacerdotes senhores da razão dotados de total soberba e poder que pregam a lei e a utilizam com "sabedoria terrena", assim valorizando a quanta valia que o Awô pode trazer e não o que diz ifá, mas isso é assunto para uma nova argumentação.

Babalorisá Esú Layenã.